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segunda-feira, 17 de abril de 2017

O Guia do Aportador - Investimentos


Este guia tem como objetivo dar um norte para aqueles que querem se tornar aportadores, que querem aprender a investir, mas não sabem por onde começar.

Antes de tudo, você, caro leitor, deve responder a seguinte pergunta:
Porque eu deveria investir?
Esta é uma pergunta pessoal que não posso responder por você. Eu, por exemplo, invisto porque gosto da ideia de acumular patrimonio, gosto de ter recursos suficientes SEMPRE que necessário para suprir emergências ou meus desejos. Além disso, sonho um dia poder desfrutar da IF sossegadamente, tendo controle do meu tempo apenas pra mim, sem obrigações. Sou também bem competitivo. Sempre quero ser o mais musculoso da sala, o mais bem conectado, mais inteligente. E o dinheiro é a base do desenvolvimento. Sem recursos você não compra livros, não tem acesso a internet boa, não treina em academia decente ou come direito. Simples assim. Tudo isso quase que me obriga a ser um investidor para futuramente poder ter resultados consistentes.

Tendo de forma clara suas razões e objetivos em mente, o próximo passo é abrir uma conta corretora. As corretoras são a ponte para comprar ou vender ativos financeiros. Ela é ligada à Bovespa (bolsa de valores brasileira) e, dependendo da corretora, à outras instituições financeiras que fornecem fundos/aplicações.

Tem muitas corretoras no mercado. Eu comecei pela Rico e mais tarde mudei pra Socopa por ser mais vantajosa para os ativos que eu adquiria. Contudo, tanto faz qual você escolher, o importante é que você leve em consideração:
  • Ofertas de investimentos: algumas corretoras oferecem muito mais possibilidades de investimentos do que outras, é bom escolher uma que, além do acesso à bolsa, tenha boas oportunidades de renda fixa.
  • "Plataforma": deve se adequar aos seus usos, você vai usar PC, tablet ou smartphone para fazer suas operações? Prefere que ofereçam acesso via aplicativo ou tanto faz? É fácil de mexer? Nesse aspecto sinto falta da Rico, a plataforma dela é muito mais organizada e bonita do que a da Socopa.
  • Segurança: é importante saber que os ativos que você comprar ficarão na CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia) administrada pela B3 (Bovespa), então se a corretora quebrar ou for liquidada você será pouco impactado, contudo ninguém merece ter dificuldades para acessar seus bens, negociar no mercado, adquirir ou se desfazer de ativos porque a corretora fechou.
  • Taxas: talvez este seja o principal motivo de se abrir uma corretora ao invés de utilizar o próprio banco para fazer operações. As taxas influenciam DIRETAMENTE nos seus ganhos, o Viver de Renda escreveu este post legal sobre isso. Lembre-se sempre que TAXAS e IMPOSTOS são os maiores inimigos do investidor.

Como você provavelmente vai demorar 2~3 dias para que sua conta corretora seja aberta, aproveite este tempo para refletir sobre sua estratégia de investimento. Como você pretende chegar ao seu objetivo financeiro? Você prefere renda fixa ou variável? Ativos mais arriscados com maior potencial de valorização ou ativos mais seguros com menor potencial de valorização? Pretende ganhar focando em dividendos e reinvestimentos de dividendos ou na valorização das cotas? Abaixo vou falar um pouco sobre alguns produtos financeiros e conceitos básicos que podem ajudar na montagem da estratégia da carteira de investimentos.

Em geral os investimentos costumam ser divididos em duas categorias: Renda Variável ou Renda Fixa. Nenhum dos dois são livres de risco, mas no segundo caso (RF) pressupõe-se a certeza de que o investidor será pago. Enquanto no primeiro (RV) a remuneração  não pode ser prevista com exatidão.

Renda Variável

Ações
Basicamente são cotas de empresas que abriram seu capital para se oferecerem na bolsa de valores. Existem dois tipos de ações, preferenciais (sem direito a voto) e ordinárias (com direito a voto). No curso que eu fiz ministrado pelo Robert Shiller ele diz que as ações ordinárias é onde os potenciais ganhos se concentram e que as preferenciais são como títulos. É claro que as duas vão subir se a empresa se sair bem, mas eu prefiro manter em minha carteira apenas ações ordinárias. No brasil o código delas costumeiramente termina em 3, por exemplo, FJTA3 (Forja Taurus ação ordinária).

O motivo de se comprar ações visando ganho é dividido em duas categorias: ganhar com dividendos ou ganhar com a valorização da cota. Conforme as empresas vão atingindo seu ápice e passam a ter dificuldades de onde investir seu dinheiro, elas começam a distribuir uma parte maior de seus resultados em forma de dividendos. Do contrário, enquanto elas observam no mercado grande chance de crescer, elas investem tudo o que podem na própria empresa, abrindo novas fabricas, centros de distribuições ou até expandindo internacionalmente, com isso vemos diretamente um aumento no valor da cota, isso se mantêm até que ela atinja seu ápice e se torne uma geradora de caixa/distribuidora de dividendos, por isso é muito comum ver empresas que pagam um baixo % de dividendos com um preço caro, pois o mercado precifica que futuramente elas pagarão bons dividendos.

O ideal é que você sempre tire um tempo para refletir sobre os negócios da empresa que está pensando em comprar. Será que entrarão novos competidores no setor? Será que no futuro a demanda pelo produto continuará crescendo ou ela tende a estagnar? Existem produtos ou serviços substitutos que competidores podem oferecer? Como está a saúde financeira da empresa? A administração dela é agressiva ou passiva?

Dividendos
É a parte do lucro das empresas/FIIs que é distribuída ao acionista/cotista.


Fundo de Investimento Imobiliário (FII)
Portfólio do BRCR11 - BTG Pactual Corporate Office Fund

Minha categoria de investimento predileta, funcionam de forma parecida com as ações. Basicamente são cotas de um fundo que compram prédios de escritório, agências bancárias, mercados, hotéis, distribuidoras, hospitais, entre outros e alugam estes prédios para empresas. Eles administrarão tudo, alugarão os prédios, pagarão as contas necessárias, o 95% ou mais do lucro será distribuído ao cotista. Alguns fundos focam em aluguéis, outros possuem uma administração mais ativa que compra, reforma ou espera valorizar, e vende os imóveis, por isso é relativamente comum ver fundos fechando ao vender seus prédios e distribuindo seus lucros aos cotistas. Caso queriam ler mais sobre FIIs, sugiro fortemente que leiam o conteúdo do  Pensamentos Financeiros, separei os melhores artigos dele sobre FIIs abaixo:

Como estruturar uma carteira de FII
Logística/Comercial
Educacionais
Hospitais/Agências Bancárias
Shopping/Residencial
Fundos de Fundos
Escritório parte 1
Escritório parte 2
Fundos com RMG/Geracionais Multi-imóveis
Papel

Como boa parte dos artigos acima foram escritos há alguns anos, a ideia não é que você tome aquelas anotações como atuais em suas decisões de compra, mas compreender como se analisa um FII e passar a entender um pouco mais sobre essa classe de ativos.

ps: existe uma discussão grande sobre fundos de papel serem Renda Fixa ao invés de Renda Variável, isso é totalmente compreensível, mas coloquei aqui, em conjunto com os outros, por não fazer sentido separá-los dos outros FIIs.

ps2: lembrem-se de tomar cuidado com as TAXAS de administração! Alguns fundos possuem taxas aceitavelmente mais caras por serem mais ativos e trazerem mais resultados, outros na minha opinião, deveriam ter taxas menores do que as que são praticadas.

Futuros/Opções/Derivativos
Vamos deixar isso pra outro dia.

ETFs
São fundos negociados na bolsa que compõe uma variedade de ativos, lá fora existem muitos pra todos os gostos, aqui no brasil não temos muita variedade. Você pode consultar todos eles aqui. O legal de comprar um ETF é que quando você compra um, está na verdade comprando várias ações de uma vez só, isso é bom para o investidor pequeno que quer cortar custos e manter um investimento diversificado. Os dois principais ETFs da bolsa brasileira são BOVA11 e PIBB11. O Viver de Renda escreveu um artigo sobre os pensamentos dele. O artigo é de 2009, mas eu concordo com ele, que vale mais a pena o PIBB11 por ter uma taxa de administração extremamente baixa.

Renda Fixa

Tesouro Direto
Tesouro Direto

São títulos públicos federais voltado para pessoas físicas, que permitem aplicações com apenas R$30,00. É muito difícil um governo dar calote interno. Estes títulos são considerados os investimentos mais seguros do brasil. Existem vários tipos de títulos do tesouro, para aqueles que querem ter mais liquidez (tirar o dinheiro quando decidir) o melhor é o Tesouro Selic, que rende diariamente. Para quem pretende deixar o dinheiro por um prazo mais longo, existem títulos que pagam semestralmente e outros que pagam somente na data final. Aí vai do perfil de cada um, eu costumo usar o tesouro mais para acumular, não deixando o dinheiro parado, antes de investir em algo mais caro, por isso o que eu mais uso é o Selic.

Outros produtos de renda fixa

CDB
Certificados de depósitos bancários, são títulos emitidos por bancos para conseguir financiar suas atividades de crédito. Os CDBs são taxados, por isso para compensarem, devem ter uma rentabilidade maior que a dos outros produtos de renda fixa que são isentos.

LCI/LCA
Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos de renda fixa emitidos por bancos e têm o mesmo nível de segurança da poupança. São parecidos com os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), porém isentos de imposto de renda. A primeira vista parecem ser melhores do que os CDBs por serem isentos de IR, mas quando você olha as ofertas do mercado, percebe que a diferença não é tão gritante já que os LCIs oferecidos pagam cerca de 95% do CDI, enquanto CDBs chega a quase 118%.

CRI/CRA
Certificados de Recebíveis Imobiliários – CRI e Certificado de Recebíveis Agrícolas – CRA. Para facilitação de entendimento, relacione os CRI e CRA com LCI e LCA, eles tem algumas particularidades, mas também algumas diferenças. Ambos tem isenção de imposto de renda, IOF e taxa de administração.

Debêntures
Títulos de dividas de empresas. Quando uma empresa precisa de dinheiro e não está disposta a vender ações, nem pegar empréstimos, ela pode emitir títulos de divida que são negociados no mercado financeiro.

LC
Letra de Câmbio, funciona como um CDB.

Outros Conceitos Importantes

Taxa de Juros
O preço de se "alugar o dinheiro" em um período de tempo é chamado de juros. Se você empresta 100 reais para alguém esperando que a pessoa devolva 115 dentro de um mês, a taxa de juros seria de 15 reais ao mês. No mercado financeiro ela é normalmente estipulada em forma de porcentagem e está DIRETAMENTE ligada ao risco. Se uma empresa corre o risco de quebrar, caso ela queria um empréstimo será necessário que ela pague um prêmio maior por isso, caso contrário o investidor não estará disposto a oferecer seu dinheiro. O mesmo ocorre com países. Por isso a taxa de juros Selic, que é estipulada pelo Banco Central oscila, ou deveria oscilar com os riscos do país. Por ela ter o risco soberano (mais seguro do país) e ser a taxa "base" ela impacta na competição das taxas de juros dos outros produtos financeiros. Você pode checar historicamente a taxa Selic aqui.

CDI
Certificado de Depósito Interbancário é um título de emissão das instituições financeiras, que funciona apenas entre bancos. Uma pessoa física não pode comprar CDI até onde eu sei. Contudo, para nós é importante porque os títulos de renda fixa costumam ser baseados nele. Eu costumo consultar na Cetip, mas existem outros sites que também mostram como anda a taxa CDI.

Inflação
É um movimento continuo de ascensão dos preços. Simples assim. Se o preço da sua gasolina sobe, houve uma inflação nos preços da gasolina. Como você pode ver mais acima na foto dos produtos de renda fixa alguns ativos protegem o investidor da inflação (IPCA + o rendimento). Contudo é importante saber que a inflação é medida a partir da cesta de produtos de um consumidor comum. Eu nunca vi ninguém se encaixar nesse consumidor. Nós aportadores que estamos sempre cortando custos, boa parte das vezes, temos uma alteração nos nossos preços muito inferior ao consumidor amplo e por isso podemos nos beneficiar em alguns casos, em outros ela é um verdadeiro vilão que corroí os rendimentos.

FGC
Fundo Garantidor de Crédito, é uma ONG que garante a sua segurança em alguns investimentos, LCI/LCA/CRI/CRA são exemplos de produtos que eles cobrem, sendo o valor máximo R$250.000,00 por CPF e por instituição. Se você estourar o limite de garantia, vale a pena pensar em dividir em produtos de diferentes instituições para estar coberto contra o acaso.

Para quem quer saber mais sobre investimentos e entende em inglês, indico que use a Investopedia. O site é excelente e bem didático. Caso eu tenha escrito algo incorreto, conto com a ajuda da blogosfera pra me corrigir e ir melhorando o guia para os iniciantes que vão se juntando a nós. Termino por aqui meus caros. Espero que lhes seja útil.

Bons ganhos e um grande abraçoo!

13 comentários:

  1. Muito bacana Burgues.

    Ta sumido, como vao os treinos? E o estudo de nova lingua?

    Os posts do Soul sobre FIIs foram e sao muito bons mesmo.

    Belissimo post, abraçao

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    1. alguem poderia me indicar um bom livro de economia para leigos?

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  2. Burguês, excelente post para iniciantes.

    Assim como o Anon do comentário do VC, gostaria de perguntar se você teria alguma indicação de livros que toquem apenas no ponto dos FIIs, a bibliografia para investimento em ações é gigantesca, mas a dos fundos, pelo contrário, a meu ver, é bem escassa.
    Gostaria de me aprofundar no assunto. Para ser sincero, me sinto mais seguro em investir em ações do que em FIIs, apesar dos excelentes posts e ensinamentos do pensamentos financeiros, mestre dos dividendos e de tantos outros bons blogs da blogosfera que tocam nesse assunto.

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    1. Anon,

      Contribuindo aqui, eu não vi nenhum bom material sobre FIIs, tipo, um livro ou algo que valha o valor a ser pago.

      Achei o descritivo do Soul apontado pelo Burguês excelente, mesmo sendo antigo (2014) ainda serve de base sim.

      Bom, eu não sei lá grandes coisas sobre FIIs, mas aprendi estudando alguns fundos e lendo alguns comentários em fóruns e analisando se eram procedentes.

      Na verdade não tem tanto segredo assim: Escolha bons FIIs, que te deixem confortável, faça um aporte menor e vá acompanhando semestralmente ou anualmente.

      Eu me sinto muito mais confortável em FIIs do que Ações, eu sou muito ligado a imóveis.

      Abração e sucesso

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    2. Muito obrigado pela resposta, VdC.

      Realmente. Tentei caçar por aí algumas indicações, mas debalde. Apesar de comprar livros todo santo mês, não tenho disposição de pagar 30, 40, 50 pratas num material avulso sem saber ao certo se de fato o autor entende daquilo que escreve. O salário de estagiário não permite.

      Sim, li as indicações do burguês e dá sim p'ra uma excelente noção e tirar dicas valiosíssimas das postagens, inda que antigas... Mas eu sempre quis saber como os entendidos do assunto conseguiram chegar ao conhecimento adquirido, dada a escassez de material fonte. Digo, o Viver de Renda, por exemplo, tem no blog uma relação vasta de bons livros de investimentos em renda variável.

      Sei que pode parecer que são apenas indagações bobas de um anon novato, e sim, escolher um bom fundo me parece bem menos complexo do que avaliar ações de uma boa empresa, uma vez que eles são, como o burguês comentou num post antigo, tangíveis, hehehe. Diferentemente de você, nutro uma certa desconfiança pelo setor imobiliário.

      Ainda não tentei encontrar nada na literatura financeira americana e mesmo assim, acho que grande parte do conhecimento que poderia vir a adquirir, de nada me ajudaria - talvez me ajudasse a absorver alguns conceitos e a focalizar nos pontos principais de analíse - dada as diferenças entre a terra do Tio Sam e o país das bananas; talvez, ainda assim, devesse procurar por aí.

      Um abraço.

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    3. VdC

      obrigado pela contribuição meu caro, sua colocação foi excelente!

      Anon 09:57 e Anon 10:34

      Eu pretendo escrever um post similar ao Biblioteca de Filmes do Burguês para livros e pra séries, tenho juntado material há mais de um ano e acho que vai dar um post legal. Mas para adiantar, aproveitando o que o VdC disse, aqui o setor de FIIs ainda é muito novo, se não me engano começou em 2007, enquanto nos EUA já é bem mais velho e bem estudado. Acredito que boa parte dos conceitos de lá se aplicam aqui também, o livro mais recomendado no assunto é o Investing in REITs: Real Estate Investment Trusts do Raphael L Block, que é muito respeitado no ramo e já possui mais de 40 anos de carreira. O livro não é barato, mas pretendo ler em breve, acho que vale o investimento.
      valeu meus caros,
      bons ganhos e um grande abraçoo!

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  3. Muito bom, bem mastigado para quem quer começar e aprender a investir !!

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  4. Salve burguês!

    Cara, sabe dizer se o rendimento mensal informado pelos FIIs já é descontado da taxa de administração, na maioria das vezes?

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    1. Sim meu caro! todos os descontos são na fonte! O dinheiro que chega pra você é limpo/liquido, são inclusive isentos de impostos!

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