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sábado, 27 de maio de 2017

Economia Colaborativa: O Triste Fim do Gado

"A casa de um homem é seu castelo"

O termo "economia compartilhada" traz uma ideia interessante, ele parte do principio que devemos focar em produzir bens de uso comum, capazes de serem divididos com uma ampla rede de pessoas, otimizando assim o nosso senso de cidadania e comunidade. A própria internet é uma delas se você parar pra pensar a fundo, e graças a ela, muitos serviços/produtos já estão funcionando nesse esquema: airbnb, uber, blablacar, armário compartilhado, entre outros...

E espero que não me entendam mal, para o aportador inteligente, tudo isso são boas ferramentas que podem lhes ajudar a atingir um objetivo financeiro, mas para o próprio bem da população, algumas coisas não deveriam se basear nessa natureza.

Eu sou um grande fã da gloriosa Quarta Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que tem sido interpretada como o direito a privacidade. Ela tem sua origem nas leis inglesas onde alguns lugares eram restritos de modo que nem mesmo o Rei poderia ir sem permissão. A frase “A man's home is his castle” (PT/BR: "A casa de um homem é seu castelo") comumente encontrada em textos jurídicos que datam terem sido escritos durante o começo do século 17 sintetiza bem meu ponto de vista.

Este cidadão de Kentucky atirou em um drone que invadiu seu quintal até que ele caísse. Quando se dirigiram até ele pra perguntar sobre o caso sua única frase foi: "Se você atravessar a rua e entrar no minha propriedade sem permissão, vai haver outro tiroteio e outra queda."

Os Estados Unidos durante muito tempo foram símbolo dessa relação onde o proprietário tem o direito de gerir e defender sua terra, representando o limite entre as autoridades e o cidadão. Contudo, com a ascensão dos preços de imóveis e das dívidas estudantis uma boa parte dos jovens, jovens-adultos, não deixou de morar com seus pais, ou passaram a morar de alugueis onde nada é deles e estão semiprotegidos apenas pelas frágeis leis do inquilino.

O número de pessoas que tem entrado nesse regime é cada vez maior. Eles tem se acostumado em morar de aluguel pra sempre e não dão a mínima para proteger suas propriedades, já que eles não tem. Eu não quero criar aqui uma teoria da conspiração, mas tire um tempo pra refletir, de uma pesquisada nas ações que a Open Society Foundations tem tomado para fortalecer esses ideais "democráticos", veja o rumo que as novas gerações tem seguido. É muito importante se ter pelo menos uma casa por família. Um lugar onde você tem suas raízes, onde você guarda a sua história e as coisas que são importantes pra você. Não importa se é grande ou pequeno, todo homem deve ter o seu lar, seu castelo.

Volto a dizer que se você usa inteligentemente o sistema este artigo talvez não seja tão importante, o meu foco são aqueles que aportam pouco ou nada . Quando a maior parte da sociedade entrar em um regime onde pagam aluguel porque "compensa mais financeiramente" e utiliza o dinheiro para serviços e produtos totalmente inúteis, aí não haverá mais volta, já que você será um no meio de milhões que acham sossegado viver uma vida de gado trabalhando dia após dia para pagar produtos e serviços: academia/lavanderia(share)/celular/bicicleta(share)/carro(share)/apartamento(share)/pacote do office(share)/pacote adobe(share)/umas roupinhas/cineminha/viagem para tirar fotos e compartilhar/internet/pão e circo/etc, e está ótimo, já que todos ao lado viverão da mesma maneira e acharão isso o máximo. O gado nunca mais saíra deste ciclo. Ele será mais refém de seu trabalho do que nunca. Seus planos futuros sempre serão planos futuros.

É fácil também cair na falácia de acreditar que se ninguém comprar propriedades, provavelmente seus preços vão cair. O mais provável de acontecer é grandes construtoras e/ou grandes fundos de investimentos passarem a comprar um número cada vez maior de propriedades, como elas vão ter um yield sólido proveniente da população que paga aluguel, conseguirão dominar partes cada vez maiores do mercado de forma crescente.

Se vocês acham que estou indo muito longe, não deixe de dar uma olhada no recém lançado: Smart Santa Cecilia da construtora Gafisa que traz o primeiro "HOME&SHARE" do Brasil, o vídeo, é o mesmo que estou colocando abaixo.


Engraçado como a Gafisa quer ajudar a humanidade dividindo tudo, e fazendo o bem pra todo mundo, mas a página onde ela expõe seus trabalhos sociais tem menos linhas que meu post...

A Exame também tem um texto legal: "Economia colaborativa: dividir AO INVÉS DE ACUMULAR". Mostrando mais o lado positivo do que o lado negro, mas ainda sim vale a pena ler pra refletir.

Se você já tem um lar, não deixe de lutar por direitos. O mundo caí por direitos trabalhistas, mas ninguém parece se preocupar com leis que protegerem assaltantes de invadirem a propriedade da sua família. Nos Estados Unidos em alguns estados as famílias abrem empresas e colocam a casa como a sede da empresa. Se a empresa falir, ninguém pode tocar na sede da empresa. Não podem nem penhorar os bens que estiverem dentro da casa. E se alguém tentar invadir ainda pode levar chumbo grosso, que não haverá complicações legais. Aqui no Brasil, seu barraco é tomado pelo governo em 5 anos se você não paga IPTU (roubo) tornando-se divida ativa do município.

A única saída é seguir o caminho dos aportadores. Se você possui um lar com sua família. É importante aproveitar a vantagem para aportar e conquistar mais bens e direitos. Se você não possui aproveite enquanto o governo ainda mantém juros baixos e outros incentivos para comprar seu imóvel próprio, porque algo me diz que futuramente eles (os incentivos) vão deixar de existir. Não faça negócio com pressa, pesquise, reflita, tente procurar por um lar legal, bem localizado, no centro de alguma cidade bonita e calma, cujos habitantes tenham uma genética media visualmente bonita, e apresente baixo índice de violência, mesmo que você não vá morar lá nos próximos anos. Use o maldito FGTS que não rende nada. De seus pulos, relógio segue se movimentando.

O resto é com vocês.
Bons ganhos e um grande abraçoo!